sexta-feira, janeiro 07, 2011

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência".
Carlos Drummond de Andrade

BOM DIA!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

"Quem quase morre ainda vive.
Quem quase vive já morreu..." Luís Fernando Verissimo
Hoje organizei meus sonhos em sequência e prioridades
descartei amores
duvidosos, amores feitos de promessas,
camuflados sob o manto do amanhã que
nunca acontece
por medo, covardia, comodismo, insegurança ou... Sei lá.
Não quero mais enigmas que devoram minhas expectativas,
nem a face
enrugada da tristeza refletida no meu espelho.
Quero recriar a canção da
minha vida em notas de alegria
e resgatar o projeto original da menina que
era feliz e sabia.
Hoje eu disse adeus às promessas construídas em séries
e abandonei as
utopias feitas em cerâmica que trincaram.
Não mais emprestarei minha alma a
moldes disformes
nem usarei as lágrimas para umedecer o barro sem arte.
Não quero o martírio de um paraíso do outro lado do muro
nem o mapa para
que eu siga pistas de potencial vitória;
quero a felicidade beijando minha
boca com sofreguidão
e o amor presente fazendo bagunça no meu coração.
Garantia não tenho de nada não levarei escondido no bolso nenhuma semente nenhum suspiro nenhum gesto pois tudo é podre condenável consumível.
Continuo sem dizer o nome amor.
Porque eu jurei que ia ser diferente.
Tento acreditar no amor às escondidas da minha promessa.
Fechei o coração e atirei a chave para longe da boca
e dos dedos para que eles não falassem mais de amor,
mas o coração sai-me por baixo da porta
e invade-me os dedos e a boca e os olhos...
mesmo sem amor.
Porque deixei o amor em algum lugar que risquei do mapa
e ficou perdido dentro de mim.
Porque eu jurei que ia ser diferente.
Então, digo que gosto um pouquinho de ti.
E não confesso nem ao vento esse pouquinho,
porque é sempre mais fácil apagar o que ainda não ficou marcado.
Os dedos escrevem baixinho
[baixinho para os ouvidos não estremecerem e eu não descobrir]...
gosto um pouquinho de ti.
Um pouquinho bem pequeno, porque muito faz doer
e a dor incha o coração, que não conseguiria passar na porta
e sem ele os dedos murchariam.
Agora diz-me baixinho: que fazer com o pouquinho que gosto de ti
quando se risquei o amor do jogo?
Se eu gosto de ti para que o amor não faça doer,
como banir esta saudade?
o que eu procuro em ti, é esquecer-me do que procuro, e esquecer-me também de mim.