terça-feira, junho 30, 2009

foto © foto Al Chizhik... como deixarei de sofrer enquanto não te vir?... Mas não importa, estou resolvida a adorar-te toda a vida... e asseguro-te que seria melhor para ti não amares mais ninguém. Poderias contentar-te com uma paixão menos ardente que a minha? Talvez encontrasses mais beleza..., mas não encontrarias nunca tanto amor, e tudo o mais não é nada... Mariana Alcoforado, Cartas Portuguesas (pref. e trad. de Eugénio de Andrade), (via A Dispersa Palavra) ** Este post foi extraído do blog: Plan(o)Alto dois

terça-feira, maio 12, 2009

Ninguém o vê.
É tanto e tão grande que me pergunto como não o vêem.
Procuro-o no espelho e nem eu o consigo ver, na verdade nem sei onde o procurar se o sinto em todo o lado.
Não o vêem? Não há mais estrelas, flores, não há mais feitiços nem sequer olhares. Ninguém vê o que está a morrer por dentro quando tudo vive por fora.
Como encontrei um dia a saída e perdi a entrada?
Morreu tudo e eu morri também.
Morrem as palavras no dia em que deixam de fazer sentido. O amor leva tudo, mata tudo. Morre o amor quando o matam, e eu morro com ele.
Sinto o cheiro do amor a decompor-se – amor, chamem-lhe outra coisa que não amor, porque as palavras estão a morrer e ele vai com elas. Sinto-o morrer, e nem capaz sou de o enterrar. Perdi as forças ao tentar lutar por ele.
Morreu e eu não tampouco sou capaz de o ressuscitar – não eu, não mais...
A vida morre também. Lá dentro de mim, num canto. Não consigo mexer-me dentro, não consigo mexer-me por fora.
Anestesiei -me um pouco, paralisei um pouco, morri um pouco.
As sensações, os momentos, os sonhos desfeitos, estão tão perto de mim que eu quase os consigo tocar.... Mas não, não há mais passos para dar. O meu corpo ainda quer caminhar de encontro a eles, mas é por dentro que estão as travas, e é por dentro que tudo morre. Caí em algum ponto. E paralisei. Morreram as palavras. A vida morre também num canto ao fundo do coração que nenhum espelho consegue ver e só me restam forças para pensar: Talvez haja uma razão para a vida. Morre-se, mas apesar de tudo, deve haver uma razão para a vida.
Mas, talvez.
Apenas talvez...
Porque me levaste todos os sonhos e me deixaste todos os medos?
...Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos vivemos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Albert Einstein

sábado, março 21, 2009

foto daqui
"...Sempre existe no mundo
uma pessoa que espera outra...
E quando essas pessoas se cruzam,
e seus olhos se encontram,
todo o passado e todo o futuro
perdem qualquer importância,
e só existe aquele momento,
e aquela certeza incrível de que
todas as coisas debaixo do sol
foram escritas pela mesma Mão.
A Mão que desperta o amor..."
Paulo Coelho
foto daqui
Mas tão depressa nos perdemos,
tão depressa
a memória das coisas nos fugiu
que, rápida, a estranheza
do tempo nos tomou, como se um rio,
em passando por nós, nos esquecera.
Torquato da Luz, aqui

sexta-feira, março 20, 2009

foto Luc Selen
Foi sempre tão incerto o caminho até ti:
tantos meses de pedras e de espinhos, de
maus presságios, de ramos que rasgavam a
carne como forquilhas, de vozes que me
diziam que não valia a pena continuar, que
o teu olhar era já uma mentira; e o meu
coração sempre tão surdo para tudo isso,
sempre a gritar outra coisa mais alto para
que as pernas não pudessem recordar as
suas feridas, para que os pés ignorassem
as penas da viagem e avançassem todos
os dias mais um pouco, esse pouco que
era tudo para te alcançar...
Maria do Rosário Pedreira, aqui
foto: Konrad Zagloba
Desmontar a casa e o amor.
Despregar os sentimentos
das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade das conversas.
O amor não resistiu às balas, pragas,
flores e corpos de intermeio.
Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juizo final do desamor.
Houve um tempo: (...)
Amou-se um certo modo
de despir-se de pentear-se.
Amou-se um sorriso e
um certo modo de botar a mesa.
Amou-se um certo modo de amar.
No entanto,
o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas,
tropas de insultos
malas desesperadas,
soluços embargados.
Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?
O amor ruiu e tem pressa
de ir embora envergonhado.
Erguerá outra casa, o amor?
Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
(...)