quinta-feira, abril 08, 2010

foto © Anika Volans Morre-se de tanta coisa Quanto a mim morro-me de ausência... morro-me com todo este céu a cair-me por entre os dedos; pedacinhos de memória pendurados... morro-me também... da melancolia,... ah sim, também se morre de silêncio Victor Oliveira Mateus, A noite e a voz (ver mais aqui)
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Às vezes vêm de muito longe: de fatigadas viagens, de mortes prematuras, de excessivas solidões. Mas vêm. E trazem a inicial pureza das fontes. E a lâmina do silêncio. E a desordem da noite. E a luz extenuada do olhar. Tão cúmplices, as palavras. De O silêncio: lugar habitado, 2009
imagem aqui
como fugir
daqui
se não posso
fugir
de mim
Daniel Sant'Iago, aqui
o que não foi destruído ficou em silêncio
mas reparem: só o que perece não dói
a dificuldade é incinerar o que fica
o passado é pouco combustível
mas os dedos, como os nós, também se cortam
mas como dividir o que é inteiro
onde rasgar, em que linha imaginária
se ainda hoje todos os decretos
foram decretados nulos
foto daqui
... e de novo entre nós aquele choro
de quem não teve tempo de preparar
despedida com palavras certas,
porque as palavras certas
estavam todas em histórias erradas...
(desconheço a autoria)

quarta-feira, abril 07, 2010

há noites assim em que o silêncio
se transforma de leve numa lâmina
que minuciosamente rasga o linho
onde ficou esquecido o corpo
que habitávamos em provisórias madrugadas felizes
imagem aqui, texto aqui
... e já não posso adiar por mais tempo
as palavras que sempre soube terem
um prazo secreto de validade
para nos ferirem de morte...