postado originalmente por valéria, aqui
terça-feira, março 18, 2008
esquece
baixa as pálpebras
para que seus olhos não me vejam.
esquece que vivo dentro deles
(hesitei tantos séculos
até me aventurar por estes precipícios...)
silvia chueire
nem uma palavra se move
entre as minhas mãos,
nem acena um gesto;
o silêncio é uma longa noite sem lua.
ladram lá fora os cães
inquietos com o escuro
e as sombras que se movem no escuro
à luz escassa de uma janela solitária.
cá dentro ladra a angústia.
na calada das horas
mesmo o pensamento é furtivo.
tudo é ausência, sem recurso.
meu corpo é líquido
a água é seu meio natural
não seu habitat
ou um retorno no tempo
o mergulho do corpo na água
é o encontro
a indizível sensação de pertinência
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