terça-feira, outubro 03, 2006

Sementes de Verdade

Não há luz que não espante a treva Não há sorriso que não ilumine um semblante Não há riso que não sane o mau humor Não há amor que não desfaça o ódio Não há perdão que não traga a cura Não há humildade que não rebaixe o orgulho Não há simplicidade que não enrugue a vaidade Não há beleza interior que não nuble a beleza externa Não há tolerância que não vença a ignorância Não há persistência que não atinja um objetivo Não há calma que não inferiorize a ira Não há paciência que não dissolva a ansiedade Não há coragem que não dissolva o medo Não há serenidade que não desarme a agressão Não há desprendimento que não ridicularize a avareza Não há ambição bem dosada que não humilhe a ganância Não há fé que não vença a rebeldia Não há rendição que não cesse a guerra Não há silêncio que não quebre a exaltação Não há compreensão que não incomode o erro Não há verdade que não derrube a mentira Há olhos que observam os meus atos e também os teus: não há atos que não sejam vistos nem há pensamentos que não cheguem a Deus ® Silvia Schmidt **("emprestei" do blog do amigo José Carlos)

segunda-feira, outubro 02, 2006

Silêncio...

Deixa teu silêncio entrar em mim, vem aqui perto, deixa eu deitar minha alma no teu colo. Deixa teu olhar aquecer minha pele esquecida. Deixa teu silêncio entrar em mim até que meu medo passe, até que seja possível, antes de tudo, sentir o calor da tua alma que me aquece, um íntimo que se mostra, uma pessoa sem igual... Coloca em minha vida todas as suas meias verdades, não altere a voz, não solte minhas mãos até que meu temor se acabe, e eu sinta que um novo dia pode nascer dentro de mim...

Tecelã

Teço em mim uma colcha de delicadezas, quero me cobrir do mundo, me resguardar do frio, das atitudes comuns... Quero esconder as lágrimas, o pranto, o espanto... Quero mantê-los distantes dos erros comuns... Teço pra mim uma colcha de sutilezas, toda de retalhos das pequenas atitudes que não se encontra mais nas pessoas... Teço, para guardar minha vida distante das mãos que não sabem mais fazer carinhos... Teço minha vida num tempo, onde não parece mais lógico querer viver...

Vôo

Num vôo silencioso percorrendo caminhos traçados no escuro, vôo sem medo, com segurança, mergulhando nos precipícios da minha alma, num vôo rasante, rebuscando fragmentos do passado e trazendo à tona pedaços de mim. Tenho a calma dentro do meu eu, sou bruxa da minha solidão, afugento os perigos que regem meu destino, em busca da serenidade...

Faces...

Sou assim... Duas de mim, às vezes três... Sou uma por vez, me diversifico, às vezes grito, vivo em conflito, mostro ao mundo minha dor, outras só sei falar de amor... Sou chorosa e nervosa, carente e decadente, sutil e indecente, vingativa e inconsequente... Sou cheia de reservas, coberta de sutilezas, séria e sem defesa. No papel de mulher fatal, viro logo a tal, aí sou dona do mundo, segura e atrevida, altiva e desmedida, rasgo meus segredos ao meio e os exponho num roteiro. Agrido, exponho, conto o que ninguém tem coragem de contar, explico detalhes que é bom nem lembrar. Sou assim, sorriso por fora, angústia toda hora, por dentro um tormento, no rosto, nenhum sofrimento; no corpo uma explosão de prazer, nos olhos nem me deixo perceber, melhor nem me conhecer...

domingo, outubro 01, 2006

Conclusão

Um dia vais me perder,
um dia vou me cansar ,
um dia vou começar a não querer,
a não te querer...
Às vezes consigo ver
em teu olhar um olhar de desejo,
mas tu nunca consegues ver
o que meu olhar te diz...
Talvez não queiras ver...
Gostava de ficar para sempre em teus braços,
mas não mereço ficar nos braços de alguém
que nem sempre me quer abraçar...
Se me olhares com vontade
vais decifrar o que meu olhar
vem querendo dizer ao teu...
Mas se demorares,
vou acabar por fechar os olhos...

Espelho

Entre eu e o espelho estão todas as possibilidades.
Entre o que os meus olhos vêem
e o que sou está a minha realidade.
E se não preciso, não interpreto,
resta-me apenas a imagem
consumida pelos anos.
Quando fecho os olhos
é que vejo tudo o que sou.
Minha realidade não está ao alcance
nem mesmo do meu olhar...